• Fernanda Alves Curbage

Metodologias e tomadas de decisões

Em uma semana conturbada entre auxiliar mediandos em suas tomadas de decisões e lidar com minhas próprias decisões: vida, carreira, aulas, academia e saúde mental. Sigo acreditando na existência vívida do processo individual/local na formatação e manifestação de uma decisão madura e assertiva.


Assim, se por maioria, nossa existência como seres humanos viventes visa a busca de felicidade. E está pseudo manifesta-se em realizações em processos de acomodações práticos como: possuir algo, obter meios para algo, ter uma boa aposentadoria, trabalhar menos, enfim....


Aí, vem a vida em sua intangível sabedoria e promove fatos, pessoas, circunstâncias ou paradigmas que nos mobiliza a produzir mudanças. Há um tempo venho percebendo e estudando esses aspectos mobilizadores, que podemos chamar de conflitos.

Minha proposta, antes de condena-lós e enquadrar-los ao campo da negatividade, reflita sobre.


Meu relato:

Hoje conheci inesperadamente o Sr. Rui Alegria* (nome fictício, pois fiquei tão imersa em sua história, que não lhe pedi autorização para divulgá-la), que dividiu comigo, além de um banco no Jardim José Roquette junto à Foz um pouco de sua sabedoria de vida. Exímio jogador de tênis profissional, hoje dedica-se à passar a diante um pouco de sua expertise adquirida ao longo dos seus 80 anos como tenista. Entre dicas de tênis e explicações sobre o porque estamos experimentando essas temperaturas tão altas (à saber por culpa dos ventos de leste que vem da Espanha). Sr. Rui me contou sua caminhada de recuperação após um longo tempo internado, por um erro médico. Ao contrário do que se pode imaginar, não havia raiva ou rancor nos fatos por ele narrados. Lá estava um Sr. de 80 anos, pleno e feliz, me explicando "tin-tin por tin-tin" como tudo ocorreu, me mostrando suas cicatrizes (igual quando uma criança engessa o braço e quer mostrar a todos os amiguinhos seu gesso novo) e enfatizando que estava muito feliz por ter sobrevivido. Hoje já havia ido assistir uma partida de tênis, estava voltando da fisioterapia e mais feliz ainda por estar se recuperando para voltar a dar aula aos seus alunos mais queridos, que são os "miúdos de pouca idade". No final de nosso "dedo de prosa" Sr. Rui ia levantar-se e avistou dois rapazes subindo a rua e lhes gritou: "Por conta de não ser fumador que estou cá vivo, jogue isso fora menino!"


Enfim, fiquei atônita alguns minutos após Sr. Rui se despedir imaginando quanto significado tinha sua história.

Quantas tomadas de decisões Sr. Rui teve de fazer para estar ali? Quanta reflexão Sr. Rui teve de fazer para conviver com o aspecto mobilizador causado por outrem em sua vida?

Ainda, quanta sabedoria viva o Sr. Rui pode transmitir para seus alunos?


Pensando em metodologias para as tomadas de decisões, escolho o radicalismo como que o Sr. Rui afirma ter sobrevivido, pois não era fumador, mobiliza-o e autoriza-o a dar "bronca" nos meninos que passam à rua! E como professora fico empolgada e radicalizo-me em meus princípios e no que acredito fazer sentido para hoje (ensinar e cultivar a comunicação e tomada de decisões em todas as esferas acadêmicas e profissionais).

Em uma frase curta e com muito significado, eu tenho um sonho. Sonho conviver em uma sociedade onde as relações sejam livres, verdadeiras e naturais à todos. Meu sonho não é projeto, sei que não se realizará em uma vida, é além da vida, então é sonho. Como sonhadora, professora em mediação de conflitos, pesquisadora e sempre estudante das relações humanas, me questionei.... questionei meu entendimento sobre o que é um conflito, questionei a sabedoria, questionei a educação...


Neste mesmo banco da praça, recebi outra visita maravilhosa, minha querida colega de doutoramento. E após alguns desabafos acadêmicos, minhas dúvidas ainda permaneceram: Está sendo útil: todas as metodologia e tutoriais que aplicamos às nossas crianças, sem que elas possam conhecer um Sr. Rui em um banco de praça? Prender o ensino em grades curriculares e demandar que sejam devidamente preenchidas? Quanto ensino há em uma conversa sobre superação e propósito?! Até quando vamos moldar informações e tecnicalidades às pessoas e não o oposto? Qual é a saída profissional de um aluno maduro diante de um conflito? Em qual grade curricular devemos encaixar a disciplina "controle de habilidades emocionais no conflito" ou "tomada de decisão em conflito"


Então, sigo-me questionando... hoje pensar no conceito, nu e cru, de conflito faz-me sentido disser que devemos ser gratos à todo e qualquer conflito que tenhamos passado ou que viremos à passar, pois a certeza é que em função dele haverá uma mobilização, não linear, em direção ao movimento necessário para que difíceis decisões sejam tomadas com maturidade.


Utilizando algumas tecnicidades da academia, hoje defini o conflito como:

“O conflito pode ser caracterizado como um processo mobilizador, não linear, com ausência de paz entre os envolvidos e marcado pela ocorrência de embates relacionais, normalmente qualificados por resistência entre: pretensões, interesses, sentimentos e emoções .” (Fernanda Alves Curbage, 2022)

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