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  • Foto do escritorFernanda Alves Curbage

Obesidade infantil, fui uma criança obesa!

Hoje, 03 de junho, é o Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil. Considerada o problema crônico mais prevalente entre as crianças do planeta. A OMS calcula que 41 milhões de crianças com menos de 5 anos estejam acima do peso, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento.

Estudos internacionais evidenciam que as crianças de hoje tendem a viver 5 anos a menos que seus pais, devido a fatores como má alimentação e sedentarismo. 

São variadas as políticas públicas e os agentes que poderíamos recrutar como culpabilizadores. Todavia, nosso dever está nas ações de futuro. Desde alerta, prevenção, informação na escola, controle de saúde da família e etc…

Este texto será diferente é um relato pessoal.

Sim! Sempre fui gordinha. Era minha característica identificadora. Obviamente algumas pessoas lidam super bem com isso (meu marido), eu não fui uma delas.

Tenho um comportamento peculiar com coisas que me incomodam, finjo que não existem. Então, por anos nunca me interessei pelo debate da obesidade infantil, digo mais, evitei com todas as minhas forças ler, ouvir ou discutir o assunto. Por óbvio, diria meu psicologo: “Não adianta deixar pra lá, se o “pra lá” não te deixa!” (Marcos Filipe).

Pois bem, os anos se passaram, diversos nutricionistas, amigos do peso, Spa’s, promessas, ridicularizações na escola, faculdade, vida social. Sim, essa construção pode ser bem dura, mas valeu a pena, minha derrocada com a balança foi épica, interna e muito pessoal.

Até hoje pouquíssimas pessoas sabem desta história, em minha formatura de faculdade foi nós dado o “privilégio” de escolher uma trilha sonora para a caminhada até a entrega do diploma (muito louco como essas coisas hoje parecem tão pequenas).

Foi minha oportunidade, escolhi: Essa moça tá Diferente na voz de Chico Buarque. Nesta altura, minha constituição física já não era fator de identificação, mas, eu achava que ainda não era suficiente para fazer jus a música. Me dispus a emagrecer mais, foi uma época difícil. Hoje enxergo o quanto me agredi, por vezes fazia restrições severas e depois comia sem medida, gerando consequências como: sensações de desconforto, mal estar e até vômito.

Atingi minha meta, subi no palco, peguei o diploma, a música foi tocada, a mensagem de vitória transmitida: “Essa moça tá diferente; Já não me conhece mais; Está pra lá de pra frente; Está me passando pra trás”. Meu intuito foi: enterrar toda minha trajetória como “gordinha”. Venci minha batalha pessoal com a balança e todas as consequências sociais. Nesse momento prometi que NUNCA mais iria passar por isso.

Casei-me e construí uma rotina de vida totalmente diferente da de solteira. Minha vida seguiu. Fases de estudo, de trabalho, de comodismo, de esportes intensos. Conheci o CrossFit, voltei a ser criança, é uma modalidade desafiadora, exige uma série de atributos que apenas atletas muito bem condicionados conseguem ter concomitantemente.

Primeiro mês de CrossFit o professor me diz que se eu quiser treinar firme posso competir a nível nacional, pois minha constituição física “fortinha” me permitiria um ótimo desempenho. O que? vivi um drama gigantesco, para hoje você me dizer que só tenho chance por ser “fortinha”.

Mais uma vez fingi que não era comigo a história. Mas, obviamente fiquei remoendo cada letra da palavra “fortinha”. Relembrei como eu era boa em ginástica acrobática na infância, quando conseguia segurar até duas meninas nos ombros e manter o equilíbrio. Rememorei como, eu mesmo gordinha gostava de brincar de “tubarão” na piscina, entrando e saindo com agilidade. Lembrei-me também que entre as meninas do colégio sempre sobrava eu e mais uma ou duas para jogar basquete entre os meninos.

Decidi tentar, comecei a treinar Crossfit com mais dedicação. Destaquei. Cargas altas. “Fortinha ela né”, diziam. Os comentários evoluíram “Ah, também ela é forte-gorda” ou, “Vai lá mostra”. Fingia que não ouvia.

Cresci! e passei a exercitar a empatia, descobri coisas lindas que na verdade eram comentários de admiração, orgulho, incentivo e carinho.

Hoje, me considero uma adulta, mulher, empoderada, atleta (ainda pego mais peso no supino que muitos homens). Fui competir CrossFit, no início deste ano, internacionalmente representando o Brasil, classificada em quarto lugar em minha categoria.

Tudo isso porque resgatei a EU “gordinha” e me aceitei. Hoje engordar ou emagrecer não tem o mesmo significado, o que vale são quais metas você deseja atingir. Mantenha hábitos saudáveis como prioridade e tudo estará bem, a briga com a balança já não existe mais. Dica: tenha sua rotina alimentar equilibrada com espaços para eventos, aniversários, taças de vinho e tudo mais o que quiser. Esta é minha história!

Se quiser compartilhe sua história. Fique a vontade para dividir.

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