• Fernanda Alves Curbage

Ser professora!

Tecnicamente sou professora desde 2015, recém terminada minha pós-graduação no novo Código de Processo Civil, iniciei a ministrar formações de mediadores judiciais chancelada pelo Concelho Nacional de Justiça – CNJ.

Foi um desafio tremendo. Não me sentia apta ao ofício. Cresci ouvindo minha mãe dizer: “Respeite os professores eles sabem tudo”. Tinha eu o dever de saber tudo?

Não era bem isso que tinha estudado em metodologia do ensino com Paulo Freire, mas, conselho de mãe dá-se valor né!

Pois bem, me preparei demais, estudei a fundo cada nota de rodapé do Manual que ministraria. Foram inúmeras reuniões com a equipe docente, planilhas, listas e materiais didáticos revidados. Neste curso adotamos com metodologia o ensino em co-docência (quando vários professores ensinam coletivamente a mesma matéria), totalmente diferente de tudo que eu havia vivenciando até então, mas, para o contexto da mediação esta metodologia era excepcional.

Me lembro até hoje da frustração. Os alunos que não estavam cochilando, levantavam dúvidas do ponto anterior toda vez que eu os indagava sobre a resposta jurídica apropriada. Foi um sufoco, mas terminou uma semana intensa e cansativa da qual tirei alguns feedbacks relevantes. Percebi que durante a semana do curso eu não havia tido intervalo entre as aulas e meu cansaço físico possivelmente vinha daí. O que eu estava fazendo? Nos intervalos estava sempre respondendo questões sobre a matéria  que havia acabado de ministrar (possivelmente à aqueles alunos que estavam cochilando). Mas de forma lúdica,  divertida e até fazendo piada sobre. Descobri uma mina de ouro.

Precisava agora aceitar minha incompetência em “enfiar” todo ensinamento que eu havia estudado e aprendido na cabeça do aluno. E lidar com aquilo que ele aluno estaria pronto para aprender (mas isso é muito Paulo Freire, na prática!).

CLASSE DE MEDIAÇÃO JUDICIAL CNJ - OAB CAMPINAS MAIO 2016-97

Minhas conclusões e assertivas para os próximos cursos que iria ministrar foram excepcionais para a configuração de minha formação como professora/articuladora/facilitadora até os dias de hoje. Divido algumas delas:

  1. Falar bonito não adianta, a linguagem deve estar adaptada aos alunos (se virá e se adapte rapidamente!)

  2. Conheça seus alunos, minimamente, você irá precisar usar as referências deles para gerar o engajamento ao conhecimento a ser ministrado (seus exemplos precisam estar na realidade deles)

  3. Não finja o que não é! (fica falso, feio e antipático)

  4. Seja espontâneo e não fique preso unicamente ao conteúdo (sei que preparamos um roteiro de aula pedagógico para transmissão de conteúdo, mas, o papel do educador em sala vai além, somos responsáveis pela formação integral do indivíduo. Então se o debate se estender em determinado ponto com integração coletiva em prol do conhecimento específico, que esta fora do roteiro, FORNEÇA!

Conclusão, escrevo estas linhas em agradecimento e respeito aos exemplos de educadores que passaram por minha vida. Em tempo, desculpo-me pelas conversas paralelas, cochiladas e desatenção. Sei que estavam fazendo o seu melhor naquele dia, e também aprendendo diariamente. Hoje tento replicar todas as boas práticas que vivenciei.

Meu muito obrigada aos meus mestres, aos alunos e sobremaneira a minha mãe pelo ensinamento do respeito ao professor. Se fossemos atualizar sua fala, poderia ser: “Respeite os professores, eles também estão aprendendo!”.

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